Redes sociais, Internet, novos modelos… Estamos prontos para tudo isso?

Lia, outro dia, um texto do Sérgio Lüdtke sobre as relações entre a televisão e a Internet. Lá, o autor comenta o que o presidente da rede de televisão americana CBS, Leslie Moonves, disse ao The New York Times: ”a Internet é amiga, não inimiga”. Pelo que eu ví ontem (27), durante a cobertura dos meios de comunicação eletrônicos sobre o terremoto no Chile, passei a acreditar que a Internet não só é amiga, mas também a salvação. Sei da importância de todos os meios de comunicação, e das limitações, também, de cada um eles (assim como a própria Internet), mas a Internet oferece a oportunidade de inúmeras possibilidades. Quer ver? Que outro meio permitiria a criação de um sistema de busca a desaparecidos, como o Chile Person Finder, criado pelo Google para que usuários possam procurar por informações de parentes e conhecidos? O rádio e a TV certamente poderiam ajudar neste tipo de situação, mas como a maioria são comerciais, não interromperiam sua programação para ajudar na busca a desaparecidos.

Ontem, após o terremoto de 8,8 graus de magnitude que atingiu a região central do Chile, o fornecimento de energia foi interrompido nas principais regiões afetadas e os serviços de telefonia e Internet funcionavam precariamente. Os principais portais de notícias do país - como o El Mercurio e TVN Chile - ficaram o dia todo fora do ar, e quando voltaram, estavam completamente desordenados. Mas muitos chilenos usaram redes sociais, como o Twitter e o Facebook para comentar e obter informações sobre o terremoto, parentes e familiares. Pelo Twitter, eu acompanhava, segundo a segundo, toda a evolução dos acontecimentos, narrados pelos próprios jornalistas da TVN Chile e do canal 24 Horas (também da TVN) que estavam em campo, no meio do caos, e atualizavam seus perfis, noticiando, em primeira mão, todo o desenrolar dos fatos.

Sim, mais um exemplo de que a Internet não tem fronteiras e, principalmente, não restringe o espaço aos seus usuários. Nunca veríamos o relato de um jornalista sobre o fato no momento em que ele acontece desta maneira em outro veículo. No máximo, veríamos uma matéria de um minuto e meio na televisão ou no rádio mostrando um breve e frio resumo sobre o assunto, ou leríamos uma reportagem gigante, escassa de fotos, sobre o que já vimos e revimos ao longo do desenvolvimento daquele fato nas mídias eletrônicas.

Adoro a televisão, adoro o rádio e me penalizo por não ter tempo de consumir, pelo menos, os jornais mais importantes da região onde vivo, mas acredito na realidade que já está se desenhando para os próximos anos: o de um jornalista, literalmente, multimídia. Na faculdade, já havia escrito um artigo sobre o assunto, intitulado “O jornalista do futuro”. Mas o que me fez crer absolutamente nisso foi uma pequena nota que li outro dia no Portal Imprensa, sobre a demissão de 25% da equipe de jornalistas da rede americana ABC News. Não, não comemorei este fato, mas, sim, o objetivo da emissora, que, segundo o The New York Times, seria de criar um novo modelo de trabalho, mais enxuto e ágil. Para isso, só sobreviverão, a esta nova realidade, aqueles profissionais chamados de “jornalistas digitais”, ou seja, aqueles que produzem e editam o seu próprio material. E então? O futuro já começou?

Sobre Maurício Araya

Maurício Araya é jornalista, formado pelo curso de Comunicação Social da Faculdade São Luís, em São Luís (MA), e redator do Imirante.com, portal de notícias da TV Mirante, afiliada Rede Globo no Estado do Maranhão.

Publicado em 28/02/2010, em Ciência e Tecnologia, Geral e marcado como , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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