Opinião: há uma semana, silenciava-se uma voz

Por Maurício Araya

De antemão, quero que esse texto não seja interpretado como oportunismo de minha parte. Mas não posso deixar de prestar uma justa reverência nesse espaço. Há uma semana, silenciava-se, de forma cruel, uma voz. A voz do jornalista do jornal O Estado do Maranhão, Décio Sá. O lugar, a Avenida Litorânea, em São Luís, viu silenciar tantas outras vozes, anônimas, de diversos setores da sociedade. Culpa da incompetência, inoperância e negligência da própria sociedade, incapaz de se reunir e debater o avanço descontrolado da violência, inapta a decidir seus rumos e ignorante na capacidade de discernir seus valores.

Décio foi colaborador dos mais obstinados do Sistema Mirante. Assim como outros companheiros, não fui amigo, íntimo de Décio, mas a convivência era quase que diária com grande parte dos colegas, o que tornou difícil acreditar na notícia divulgada na noite daquela segunda-feira, 23 de abril.

Particularmente, acredito que o que se quer dizer a alguém, deve ser dito em vida, e não após a morte, e que, após a morte, devemos guardar os bons momentos que tivemos com determinada pessoa. A imagem que quero guardar de Décio é de um colega alegre, divertido, respeitoso, profissional, talentoso, dedicado, participativo, colaborador com todos os setores da empresa em que trabalhava e grande defensor de suas ideias, mesmo contrárias ao que acredita uma grande parcela dos maranhenses, e que, independente do que acreditava, conseguiu marcar seu nome no Jornalismo maranhense. Essa persistência, talvez cega, não justifica o ato cometido contra o profissional, e nem deve ser pré-julgada por quem não compreende a característica inerente a qualquer jornalista: o de cumprir uma função essencial na sociedade.

O papel foi desempenhado brilhantemente por Décio, por isso, acho justas quaisquer homenagens, aplausos e reverências prestadas ao jornalista. Mais que isso, nós, da imprensa, sobretudo os colegas mais jovens, devemos honrar a categoria, honrar o legado deixado por profissionais tão notáveis quanto o companheiro Décio Sá.

Que sirva de lição, que sirva de alerta, que sirva de exemplo. E que não seja esquecido.

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