Pesquisadores do IFMA e Uema estudam cavalo baixadeiro

As informações são do IFMA

Rústico, forte para o trabalho e resistente aos campos alagados: essas características fizeram do cavalo baixadeiro a raça perfeita para auxiliar no trabalho rural na região da Baixada Maranhense. Mesmo com sua importância econômica, pouco ainda se sabe sobre doenças nesses animais. É essa lacuna que esperam preencher pesquisadores do campus do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) do Maracanã e da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), com a pesquisa “Sanidade do grupamento racial cavalo baixadeiro: doenças parasitárias e infecciosas”.

No mês passado, a equipe coletou amostras de sangue, fezes e de ectoparasitos (parasitas externos, que habitam a pele do hospedeiro) em cavalos baixadeiros da localidade de Comporta, no município de Pinheiro, distante 333 km da capital São Luís. Os criadores atenderam ao chamado dos pesquisadores, e disponibilizaram 84 animais para a coleta do material. As amostras estão sendo processadas no laboratório da Fazenda Escola da Uema (São Bento), no Laboratório de Parasitologia Veterinária da Uema (São Luís) e no Laboratório de Sanidade Animal do campus Maracanã.

Os pesquisadores querem diagnosticar doenças parasitárias e infecciosas que atacam o cavalo baixadeiro. “A importância do trabalho se dá por dois motivos principais: primeiro por ser inédito, e segundo por estar trabalhando o aspecto sanitário desses animais. Com isso, teremos subsídio para ações de controle e prevenção de doenças”, apontou o pesquisador do IFMA, Danilo Rodrigues Barros Brito.

Ameaça ao cavalo baixadeiro

O Maranhão possui o segundo maior rebanho de equinos do Nordeste, com 164 mil cabeças. A maioria dos animais é mestiça, como o cavalo baixadeiro. O que mais impressiona os pesquisadores sobre esta raça é sua adaptação a um ambiente semelhante ao do pantanal mato-grossense. A Baixada Maranhense passa metade do ano com intensas chuvas, período em que os campos enchem e ficam com o terreno alagado e argiloso.

“Nessas condições, qualquer outra raça teria doenças no casco, mas o cavalo baixadeiro não apresenta esse problema”, ressaltou Danilo. Não por acaso o animal é, para os trabalhadores rurais da região, meio de subsistência e sobrevivência. A falta de manejo rotineiro e adequado, entretanto, tem deixado a raça vulnerável e até ameaçada.

De acordo com o pesquisador da Uema, Daniel Praseres Chaves, que integra a equipe, em longo prazo pode ocorrer a extinção do cavalo baixadeiro. “Os cruzamentos indiscriminados com outras raças, além dos acasalamentos consanguíneos, doenças parasitárias e infecciosas vêm contribuindo para a degeneração e diminuição da população de cavalos baixadeiros”, assegurou Daniel.

Com previsão para ser finalizada em dois anos, a pesquisa é coordenada pela doutora em Parasitologia Veterinária, Ana Clara Gomes dos Santos (Uema), e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), por meio da Rede de Pesquisa da Baixada Maranhense (Rebax).

A equipe de pesquisadores é formada, também, por alunos da Iniciação Científica Júnior (estudantes do curso técnico em Agropecuária) e da Iniciação Científica (alunos da Licenciatura em Ciências Agrárias, do Campus Maracanã, e da graduação em Medicina Veterinária, da Uema), bem como de alunos do mestrado em Ciência Animal.

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