
O debate sobre a extração do coco babaçu será um dos destaques na programação da 64ª edição da Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que segue até sexta-feira (27), na Cidade Universitária da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís. Isso porque o Maranhão é responsável 90% da safra da palmeira que garante o sustento de famílias de baixa renda no interior do Estado e tem grande potencial na fabricação do sabão, azeite, óleo, carvão, farinha, além de artesanato. A resistência das quebradeiras de coco, o potencial do Estado e as novas tecnologias para a extração da do coco babaçu estão entre os assuntos que serão debatidos.
Nesta quarta-feira (25), representantes do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) – presente nos Estados do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí – participam da conferência “A luta pelo acesso livre aos babaçuais”, que ocorre a partir das 10h30 no Centro Paulo Freire. Na tarde do mesmo dia, líderes rurais e representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) discutem o “Extrativismo do babaçu: meios de vida, tecnologia e saberes tradicionais” – veja a programação completa da 64ª Reunião Anual da SBPC.
Saiba tudo sobre a 64ª Reunião Anual da SBPC
De acordo com o professor doutor em Biologia pela City University of New York (Cuny), Cláudio Urbano Bittencourt Pinheiro, atualmente, há um grande desestímulo na cadeia produtiva do coco babaçu. “Em termos de dados, eles datam da década de 1980, quando foi feito o levantamento e a prospecção das ocorrências de babaçu no Estado. Há 30 anos, a gente sabia que tinha mapeado 10,3 milhões de hectares de ocorrência de babaçu, o que corresponde a um terço do Estado, e sabia-se, também, que havia um potencial para produzir cerca de oito milhões de toneladas de frutas. Mas o que a gente tem visto, hoje, no Estado, é um desestímulo com relação à atividade. Isso a gente vê na Zona Rural”, afirma.
A causa principal desse desestímulo é o baixo rendimento da atividade extrativista. “A causa principal é o desestímulo diante ao processo produtivo, porque ele maltrata as pessoas que passam o dia inteiro sentado no chão, com um machado debaixo das pernas e um porrete batendo num coco duro. Esse sistema, em si, rende muito pouco hoje. Se você considerar em termos de preço, o quilo dá R$ 8, o que é pouco para o sustento de uma família. O que falta é um estímulo de programas governamentais, que deem assistência técnica, que tentem, com programas de pesquisa, melhorar o sistema produtivo, que tentem inserir um pouco de tecnologia e que dê às quebradeiras outra condição de produção”, completa.
Cláudio Urbano Pinheiro vai apresentar durante a programação, o livro “Palmeiras do Maranhão – onde canta o sabiá”, que cataloga 25 espécies encontradas no Estado. O livro será disponibilizado na SBPC, e pode ser adquirido, também, em livrarias ou pelo telefone (98) 9116-8607.
Matas ciliares
O professor ministra, ainda, na 64ª Reunião da SBPC, o minicurso “Matas ciliares: fundamentos para recuperação e conservação”, que vai mostras as principais causas de degradação desses ambientes e o que existe para recuperação e conservação das matas ciliares. “As matas ciliares são áreas muito visadas, pela produção e até mesmo pelo povoamento. Todo mundo quer morar e produzir perto d’água. Então, elas são a primeira alternativa para todo o mundo. Isso cria uma pressão. Mas, para isso, existe uma lei de proteção que transforma essas áreas em áreas de preservação permanente”, diz.
Como entrar em contato com Cláudio Urbano Bittencourt Pinheiro? Gostaria de comprar o oleo do coco de alguma coperativa do Maranhao… mas nao sei por onde comecar. Gostaria de ajudar as quebradeiras de coco.
Tenho uma empresa nos EUA, e estou comecando a fabricar sabao. Tenho interesse no coco babacu.