
Trazido para o Brasil em 2008, Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), a mobilização mundial “Outubro rosa” é o símbolo da luta contra o câncer de mama em vários países. A campanha estimula a participação da população, empresas e entidades no debate sobre a doença. Para marcar a mobilização, pontos turísticos, monumentos e prédios públicos são iluminados na cor rosa, como ocorre no Congresso Nacional e Palácio do Planalto, em Brasília; no Elevador Lacerda, em Salvador; Cristo Redentor, no Rio de Janeiro; e Museu de Arte de São Paulo (Masp), em São Paulo. Em São Luís, a maternidade Marly Sarney será iluminada de rosa durante todo o mês.
Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que o câncer de mama a quinta causa de morte por câncer em geral, com mais de 458 mil óbitos, e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres. No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama, também, é o mais incidente em mulheres de todas as regiões, exceto na região Norte, onde o câncer do colo do útero ocupa a primeira posição. Para 2012, foram estimados 52.680 novos casos novos, o que representa incidência de 52,5 casos por 100 mil mulheres.
De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, o número de mamografias, principais exames para diagnostico precoce do câncer de mama, cresceu 41%, comparado ao primeiro semestre de 2011. No Maranhão, com 28.984 mamografias realizadas, o aumento representou 10% no número de mamografias realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Estado possui 74 mamógrafos para atender a população. Neste ano, foram investidos R$ 1,4 milhão para a realização das mamografias.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) no Maranhão, a médica mastologista Ana Gabriela Oliveira, a entidade recebeu com satisfação os resultados. “Existe uma conscientização maior. Além de ter aumentado o número de mastologistas, a sociedade está mais engajada nesse processo. Existe uma consciência maior. A mídia, também, tem falado muito disso. As mulheres, também, estão procurando fazer sua mamografia, exigindo sua mamografia, exigindo que ela seja consultada por uma mastologista e não estão mais conformadas com médicos não especialistas. Ser examinado por um especialista traz mais conforto a elas”, afirmou em entrevista ao Imirante na manhã desta quinta-feira (4).
Atendimentos
A partir de segunda-feira (8), serão iniciadas, no Maranhão, as mamografias gratuitas por meio de um mamógrafo móvel instalado no Centro de Saúde Genésio Rêgo, na Vila Palmeira, em São Luís. As senhas serão distribuídas durante todo o mês. Enfermeiras treinadas farão triagem das pacientes que deverão ser atendidas pelos mastologistas a partir do dia 15 de outubro.
O diagnóstico, explica a especialista, deve ser feito nos estágios iniciais da doença. “Como a gente consegue fazer o ‘estagiamento’ inicial da doença? Com a mulher fazendo o exame de prevenção, porque o câncer de mama não tem sintomas, ele não começa doendo ou causando outro desconforto na mama, geralmente é um caroço que a mulher não sente e nós vamos descobrir esse caroço fazendo a mamografia, ultrassonografia e procurando o especialista. O ideal é que a gente faça o diagnóstico por volta de um nódulo de um centímetro. Isso dá uma chance de cura excelente para a paciente, logicamente a depender de outros fatores, mas dá uma cura maior que 90% e, dependendo do tamanho, a gente não vai mutilar essa mulher, fazendo uma cirurgia conservadora dessa mama e um tratamento posterior que for pertinente ao caso”, diz.
Apesar de reconhecerem a importância do autoexame da mama, os especialistas acreditam que o exame no mamógrafo, ainda, é o melhor método para diagnóstico do câncer. A mastologista esclarece que, para obter-se uma radiografia de qualidade, o mamógrafo tende a ser apertado, o que, geralmente, causa desconforto nas mulheres. “Se não apertar, vai ser uma maior quantidade de raios-X e a imagem será de qualidade ruim. Então, o médico mastologista não vai conseguir ver o nódulo. Esse aperto da mama é necessário”, completa.
Acima dos 40 anos, o ideal é que a mulher se submeta ao exame a cada ano, independente de sentir algo ou não. Para mulheres com casos da doença no histórico familiar, o recomendado é fazer o exame a partir dos 35 anos.
Avanço da medicina
Um estudo recente, publicado pela revista Nature, fez a mais completa análise genética do câncer de mama. Ao todo, 825 mulheres com tumor de mama foram analisadas. Por meio de seis tecnologias diferentes, os cientistas avaliaram 350 cânceres. O estudo apontou que um dos quatro subtipos mais mortais desse tumor – basal, HER2, luminal A e luminal B – tem origem e características semelhantes ao de ovário.
Segundo a mastologista Gláucia Mesquita, qualquer mulher está sujeita ao câncer de mama, mas a prevalência aumenta conforme a idade. “O fato de ser mulher já é um fator de risco. A partir dos 50 anos, a prevalência aumenta bastante, além do histórico familiar. Entretanto, a maioria dos cânceres de mama é esporádica, que não têm relação com o histórico familiar ou alterações genéticas”, explica.
A medicina, todavia, não conhece as causas do câncer de mama. “O câncer de mama não tem uma causa única. São vários fatores que estão relacionados, e a questão genética também, mas não há um fator único. Toda essa questão a gente já vem, há muito tempo, discutindo na especialidade, na prática clínica. A gente sabe, no dia-a-dia, que existem tumores mais ou menos agressivos. Então, esse estudo só veio rearranjar algumas coisas que a gente já sabia e já usava na prática clínica: que cada tumor é um tumor diferente. No geral, são quatro subtipos, com vários subtipos dentro desses subtipos”, afirma.
Mais informações
Informações sobre tratamentos, listas de especialistas, clínicas e hospitais podem ser encontrados no site da SBM ou pelos telefones (98) 4141-1330 e (98) 8215-0300 (custo de uma ligação para celular).
Outras informações sobre o câncer de mama podem ser obtidas, também, na página eletrônica do Programa Nacional de Controle do Câncer de Mama na internet.