Com informações da Fapema

Um trabalho ganhador do “Prêmio Fapema” deste ano na categoria “Pesquisador Sênior” estuda o efeito moluscicida da pimenta da Jamaica (Pimenta dioica Lindl) no combate à esquistossomose. A esquistossomose é uma doença complexa devido aos seus variados fatores casuais e sua ampla distribuição geográfica, motivo pelo qual é considerada um problema de saúde pública. A doença é transmitida por caramujo, da espécie Biomphalaria glabrata e ocorre em localidades sem saneamento ou com saneamento básico inadequado, sendo adquirido pela pele e pelas mucosas devido ao contato do homem com águas contaminadas com as formas infectantes de Schistosoma manson. O trabalho é do Químico Industrial e pesquisador, Victor Elias Mouchrek Filho.
Para combater esse mal, várias substâncias já foram testadas. No entanto, até a niclosamida, único produto aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como agente moluscicida, pode ser tóxica, também, sobre outras espécies de fauna e flora. Essa preocupação fez com que pesquisadores buscassem novas alternativas de origem vegetal, facilmente biodegradável e com baixa toxicidade. Foi assim que Victor Mouchrek realizou estudos com óleos essenciais da pimenta da Jamaica. “Tendo em vista os prejuízos causados pela esquistossomose no país, torna-se de suma importância a descoberta de novos métodos de combate ao seu vetor. Dessa forma, pelo fato de muitas plantas, por natureza, serem tóxicas para caramujo, os óleos essenciais podem representar uma saída eficiente para o esse problema”, contou o pesquisador à Agência Fapema. “A atividade moluscicida do óleo essencial das folhas da Pimenta dioica Lindl frente ao caramujo Biomphalaria glabrata sugere que essa planta poderia oferecer uma alternativa natural e de baixo custo no combate à esquistossomose. Os resultados com o óleo da folhas da pimenta são promissores na busca de moluscicidas naturais. No entanto, pesquisas adicionais são necessárias, para proporcionar o uso seguro deste produto para essa finalidade”, revelou Victor.
O pesquisador é mestre e doutor em Química. Desde 1997, realiza pesquisas com óleos essências. Com esta pesquisa ele conquistou, pela terceira vez, o “Prêmio Fapema”. “Este reconhecimento é muito gratificante. Mais gratificante ainda é poder beneficiar a sociedade com minhas pesquisas. Resolvi trabalhar não só com pesquisa básica, mas com pesquisa aplicada, rompendo os muros da universidade e podendo melhor a vida das pessoas mais carentes”, finalizou.
Com o tema “Ciência, tecnologia e cultura para o desenvolvimento sustentável do Maranhão”, o “Prêmio Fapema” chega, em 2012, à sua oitava edição. Trata-se de uma iniciativa do governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), destinada a alunos, pesquisadores, inventores e empresários. Este ano, foram aprovadas 23 propostas totalizando 39 premiados, incluindo os orientadores. Os ganhadores recebem premiação que variam de R$ 1,8 mil a R$ 8 mil, dependendo da categoria. A solenidade de entrega dos troféus está marcada para o dia 23 de novembro, às 19h, no Hotel Luzeiros.



